Dachau, e seu campo de concentração

No “Dicas de Viagens” de hoje, faremos uma viagem no tempo e iremos a um campo de concentração nazista que fica na cidade de Dachau, na Alemanha.

Dachau é a cidade onde fica o Memorial do Primeiro Campo de Concentração da Alemanha. Foi esse campo que serviu de modelo para os demais campos construídos durante a 2ª Guerra. Ele fica a pouco menos de 30 minutos de trem da cidade de Munique.

Ao todo, durante o período do nazismo, foram construídos mais de 20 mil campos de concentração com as mais variadas funções. O de Dachau começou como um campo de trabalho forçado, e assim, com o passar do tempo e com a guerra ganhando força, os campos foram aumentados e seu poder de destruição em massa também, mudando seus formatos para campos de transição (como passagem de um campo para o outro) e, já no final da guerra, se tornaram campos de extermínio.

Acordando cedo para nossa pequena aventura

E como nosso intuito era conhecer um campo de concentração – estávamos curiosos – saímos bem cedo em direção a Dachau. Por mais que o dia estivesse nublado, tínhamos a certeza de grandes surpresas. Afinal, reservamos uma manhã inteira para a visita.

O melhor meio para ir até lá é por trem, pegando a linha S2 de Munique, com direção à Dachau/Petershausen e descendo na estação Dachau. Da Hauptbahnhof (Estação Central) de Munique até Dachau são aproximadamente 25 minutos, uma viagem muito rápida.

Ao chegarmos à pequena estação de trem de Dachau, descemos. Deparamo-nos com um dia cinzento, uma pouco de névoa e muitos corvos no céu.  Logo à frente da estação de trem, há um pequeno terminal de ônibus. É preciso pegar o ônibus de número 726, direção “Saubachsiedlung”, que vai lhe deixar exatamente na entrada do Memorial e do campo de concentração. Isso leva poucos minutos. Há placas que indicam o lugar, mas, ao entrarmos no ônibus, perguntamos ao motorista aonde íamos e ele nos orientou onde descer. Não teve erro. O ônibus é para esse fim mesmo praticamente todos descem no Memorial ou Campo de Concentração.

Não é fácil fazer esse tipo de visita a um lugar onde tantas tragédias ocorreram e onde predominam sentimentos tão tristes. Mas, ainda assim, entramos em uma aventura solitária onde a ficção e a realidade se misturam num cenário macabro de vida e morte.

Havia inúmeras excursões em Dachau, muitos jovens, idosos, e todo tipo de pessoas estavam ali com o intuito de conhecer um pouco da história do lugar onde milhares de vidas foram sacrificadas em nome de um fanatismo sem precedentes.

A entrada para o Campo se faz através de um portão de ferro contendo uma inscrição que diz: “O trabalho liberta”. Irônico, não?

“O trabalho liberta” diz o letreiro na porta de entrada para o campo. Ironia!

Dentro do Campo há várias esculturas espalhadas para nos lembrar de nossa posição social e fazer com que esse episódio triste da história não se repita. As esculturas homenageiam os judeus mortos nesse e em outros campos, exaltam a coragem e resignação de um povo que se viu, de repente, privado dos mais elementares direitos da sociedade civil.

Uma visão geral do Campo
Uma das várias esculturas homenageando os mortos nessa guerra absurda

 

Em meio a tanta tristeza, um memorial que diz “nunca mais” em diversas línguas para lembrarmos de que esse episódio JAMAIS se repita ou seja esquecido.

 

A caminho do crematório e da câmara de gás

É interessante que ainda que se tenha construído uma câmara de gás em Dachau, não há provas de que essa tenha sido usada, ao contrário das câmaras dos campos de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Passamos uma manhã inteira em Dachau. Vimos de tudo e nos colocamos no lugar dessas pessoas tão sofridas que viveram e morreram nesse lugar. Sentimos que a memória não pode ser apagada e que devemos ter cuidado para que barbaridades como essa não se repitam.

Fornos onde eram cremados os corpos dos prisioneiros
Câmara de gás

E assim terminamos nossa visita a Dachau, perplexos em passar por essa experiência tão triste…

Voltamos à Estação de Trem e retornamos a Munique.

 

Homenagem do mundo às milhares de pessoas mortas no Campo de Dachau

ABOUT ME 

Rachel Miranda – Brasileira, graduada em Direito, sócia da Empresa Protege Seguros e uma apaixonada por conhecer outras culturas.