Uma viagem incrível a Berlim, na Alemanha – Parte 1 de 2

O “Dicas de Viagens” de hoje está demais! Dessa vez demos um pulo até a cidade de Berlim, na Alemanha. Que tal nos acompanhar nessa incrível aventura?

Nossa viagem até Berlim foi o máximo. Saímos cedo do Hotel em Praga e pegamos o trem de 10h27. A viagem em si já é uma aventura espetacular por causa das paisagens que nos são deparadas a todo o momento. O percurso durou cerca de 4 horas e meia. Como sempre, reservamos com antecedência nossos assentos e pegamos lugares na 1ª classe. Um luxo só! Garçom passando a todo o momento para nos servir e o vagão do restaurante bem perto de nós. E como sempre… internet free.

História de Berlim

Documentada pela primeira vez no século XII, Berlim foi sucessivamente capital do Reino da Prússia (1701-1871), do Império Alemão (1871-1918), da República de Weimar (1919-1933) e do Terceiro Reich (1933-1945).

Após a Segunda guerra mundial, com a derrota alemã, a partir de 1961, a cidade foi dividida em Berlim Oriental (socialista) e Berlim Ocidental (capitalista).

O Muro de Berlim, com 144 mts de comprimento, se tornou, imediatamente, no símbolo da Guerra Fria. Muitas pessoas do lado Oriental morreram tentando fugir escalando o muro para o lado Ocidental. O muro era vigiado por militares da Alemanha Oriental Socialista, que tinha autorização para atirar e matar quem tentasse escapar.

Após a reunificação alemã em 1990, a cidade recuperou o seu status como a capital da República Federal da Alemanha, sediando hoje 147 embaixadas estrangeiras.

Berlim teve um papel chave durante todo o século XX, por causa da Primeira e Segunda Guerras Mundiais e, principalmente, pela Guerra Fria, quando foi o centro da disputa mundial entre os Estados Unidos e a União Soviética durante quase 50 anos. É portanto indiscutível afirmar que Berlim foi a cidade mais importante do mundo no século XX.

Berlim é a maior cidade da Alemanha e é sua capital.



“Berlin Hauptbahnhof” – Estação Central de Trem de Berlim

A Estação Central de Berlim é enorme. Vários andares prá cima e prá baixo do solo. Usamos todos os dias a praticidade da Hauptbahnhof pois é uma estação completa, com vários restaurantes, lanchonetes e todo tipo de serviço, além de ter uma estação de metrô que nos leva ao Portão de Bradenburgo.

A rede de transporte de Berlim é um dos destaques da cidade. A cidade conta com mais de 900 pontes que dão acesso a todos os cantos da cidade, além de transporte metropolitano que passa pelos principais pontos da capital e centenas de linhas de ônibus.

Estação de trem de Berlim – “Berlin Hauptbahnhof”

 

Em Berlim, usamos muito o metrô que, diga-se de passagem, é um pouco complicado. Por exemplo: os trens de metrô que partem da Estação Central vão apenas até o Portão de Brademburgo. É preciso ficar atento! Se quiser ir a outros lugares de metrô, deve-se saltar nessa estação e pegar outro trem em outra estação de metrô.

E nossa aventura vai começar!

O nosso Hotel fica na Lehrter Str. 12-15, MITTE e a estação de metrô mais próxima fica a 10 minutos do Hotel, dentro da Estação Central de Trem (Berlin Hauptbahnhof).

Chegamos a Berlim por volta das 15 hás, o que foi bom pois pudemos procurar o nosso hotel com bastante calma.

Nossa aventura começa cedo, saindo do Hotel e explorando os arredores.

“Unter Den Liden” – A principal avenida de Berlim

A Unter den Liden é a principal Avenida de Berlim. É nessa enorme avenida que estão os grandes monumentos da cidade, entre eles  a Ópera Estatal, o Museu histórico, a Universidade Humboldt (onde Albert Einstein estudou e os fundadores da teoria marxista Karl Marx e Friedrich Engels frequentaram), o Museu Guggenheim de Berlim, a Catedral de Berlim e o Portão de Brademburgo que é o símbolo da cidade.

Ficamos encantados com essa enorme avenida que nos fez lembrar-se da Avenida Champs Elysée em Paris tal sua magnitude e beleza.

Avenida Unter den Liden com o Portão de Brandemburgo ao fundo

“Brandenburg Tor” – Portão de Brandenburgo

O Portão de Brandenburgo fica no fim da Unter Den Liden. É uma das antigas portas de entrada de Berlim. É um símbolo do triunfo da paz sobre as armas.

Construído em 1791, o Portão  dava ao rei acesso direto do palácio real até o “Tiergarten”, seu jardim. Já no século XX, quando o Muro de Berlim foi erguido, o Portão ficou completamente isolado pelo lado oriental, dominado pela União Soviética, por quase 30 anos.  Hoje, estas portas que já foram passarela para desfiles das tropas de Napoleão, outras revolucionárias e por fim nazistas, são o símbolo da unificação e prosperidade alemã.

O Portão tem uma grandiosa arquitetura  com várias estátuas no interior das suas enormes colunas e duas praças nas suas imediações.

É uma grande emoção passar por essa que foi uma das portas de entrada de grandes acontecimentos da história de Berlim.

A beleza desse grande monumento é incrível!

“Portão de Brandemburgo”, um dos símbolos da cidade de Berlim e da recente liberdade entre os dois lados polarizados.

“Memorial para os Sinti e Roma”

E estávamos nós a caminhar pelo Portão quando nos deparamos com esse maravilhoso monumento. Uma história que poucos conhecem e que fomos averiguar.

Trata-se do “Memorial para os Sinti e Roma” , vítimas do Nacional-Socialismo na Alemanha. Ficamos maravilhados!

Esse monumento destina-se a comemorar as cerca de 500.000 pessoas, que eram conhecidas como “ciganos”, que foram perseguidas e assassinadas, entre 1933 e 1945, pelos nazistas, assim como em outros países europeus. O Memorial data de 2012.

Uma piscina foi projetada para o monumento e sua forma circular  é uma expressão de igualdade, a água simboliza as lágrimas.

Na borda da piscina, o poema “Auschwitz” de Santino Spinelli pode ser lido em inglês, alemão e romano:

“Olhos caídos”… olhos apagados…

       Lábios frios… Silêncio… coração partido, sem respiração, sem palavras, sem lágrimas”.

No chão ao redor da piscina, encontram-se pedras planas com nomes de locais de crimes nazistas. Nas proximidades do monumento encontram-se painéis de vidro que informam sobre a exclusão e assassinato em massa dessa minoria.

Diariamente é colocada uma flor fresca no triângulo que fica no centro da piscina, e que visto de cima é uma reminiscência do ângulo sobre as roupas dos prisioneiros do campo de concentração. Sempre que a flor murcha, a pedra afunda num canto. Ao ser colocada uma nova flor, ela volta a ficar para fora da água.

A flor deve ser “ao mesmo tempo um símbolo da vida, do luto e lembrança”.

 

Em volta da piscina existem placas de mármore individuais colocadas de formas irregulares, todas brancas  com os nomes dos campos de concentração nazistas e de lugares onde os grupos foram submetidos ao terror, como Buchenwald, Neuengamme ou Auschwitz.

Placas de mármore

 

Perto do Memorial estão painéis de vidro que contam a “cronologia do genocídio dos Sinti e Roma”. No lado de fora, as placas de vidro apresentam os textos em Inglês, no interior em Alemão. Os textos documentam ano a ano, entre 1933 a 1945, a perseguição ao grupo. O relato começa em 1933 até chegar em 1945, onde o número de vítimas é de mais de 500.000 mortos, entre homens, mulheres e crianças.

Painés de vidro com a “Cronologia do genocídio dos Sinti e Roma”

“Reichstag” ou “Deutscher Bundestag” – o Parlamento Alemão

Ao sairmos do Memorial nos dirigimos ao Reichstag, maravilhoso edifício em estilo neorrenascentista, projetado em 1894, que nos anos 1990 se tornou Sede do Parlamento Alemão, e que já foi a sede de governo em duas guerras ao longo de seus mais de 100 anos de existência. Soubemos que podemos assistir, mediante prévia autorização, sessões de audiência no parlamento. Que show!

É uma das atrações mais visitadas em Berlim. Seu prédio, com a cúpula em vidro, chama bastante atenção dos turistas.

Você pode visitar a cúpula do parlamento alemão, mas lembre-se: a reserva deve ser feita com, pelo menos, três dias de antecedência pelo site oficial.

Reichstag  –  Parlamento alemão
Vista lateral do Reichstag

“Checkpoint Charlie”

E finalmente chegamos ao ponto de fiscalização do muro. Pra mim, ir a Berlim e não visitar esse ponto turístico é o mesmo que ir a Roma e não ver o Vaticano. É um ícone!

Existe um museu que fica perto de onde era a guarita ou ponto de fiscalização mais importante entre os dois lados do Muro de Berlim. Nessa guarita era feito  o controle da passagem entre os dois lados da cidade, e dos dois países em que a Alemanha foi dividida na época, Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental.

O Museu conta a história de alemães que tentaram passar para o outro lado do muro de maneiras diversas, tendo sucesso nas tentativas em algumas vezes e fracasso em outras. Por volta de 800 pessoas foram assassinadas tentando atravessar o muro escondidas.

Ponto de Fiscalização do Muro de Berlim
O Museu que fica pertinho da guarita ou ponto de fiscalização
A história do Muro de Berlim sendo contada através de fotos

“Bebelplatz”

Seguindo com o nosso roteiro e ávidos por conhecer mais dessa magnífica cidade atravessamos o Portão de Brandemburgo, na Avenida Unter den Linden, e chegamos a Bebelplatz. Essa bela praça no centro histórico de Berlim é repleta de belos edifícios como a Ópera Nacional, a Catedral de St. Hedwig, cujo formato é inspirado no Panteon de Roma e prédios da Faculdade Humboldt.

No centro da praça, no chão, há uma placa de vidro através da qual se pode ver uma sala subterrânea com estantes de livros vazias.

Na noite de 10 de maio de 1933 houve uma grande fogueira na praça, na qual foram queimados milhares de livros de alguns autores censurados pelos nazistas, como Karl Marx, Heinrich Heine e Sigmund Freud. Essa noite foi conhecida como a  “Queima de Livros”.

 “Alexanderplatz”

Esse foi um ponto de total descontração de nossa visita a Berlim. Simplesmente apagamos qualquer roteiro ou passeio. Deixamo-nos levar pelos acontecimentos do local. Sentamos gostosamente em uma enorme mesa em um dos inúmeros quiosques locais e comemos um enorme sanduíche de salsicha, bem ao estilo alemão, no meio dos nativos nessa que é a maior e mais movimentada Praça de Berlim.

E tudo acontece aqui! E tem shopping, lojas, restaurantes, igrejas… E nos deliciamos com essa descontração toda… E nos perdemo-nos trans. e nos achamos… E nos perdemos… E nos achamos… O metrô em Berlim, que é subterrâneo e de superfície é complicado. No fim deu tudo certo.

A Alexanderplatz é uma praça, aberta e, ao mesmo tempo, um terminal de transportes públicos que fica bem no centro de Berlim, perto do Rio Spree. Ficava no lado oriental de Berlim antes da queda do muro. Nessa praça começaram os protestos que dinamizaram a queda do Muro de Berlim.

Em quatro de novembro de 1989 houve protestos e meio milhão de pessoas se manifestou contra o governo comunista. Cinco dias depois, em nove de novembro, o governo anunciou a liberdade para atravessar o Muro de Berlim.

Fonte com Netuno na Alexanderplatz
Comendo um dos pratos preferidos dos alemães: Pão com linguiça!

“East side gallery” e o “Muro de Berlim”

A East Side Gallery é a maior galeria a céu aberto do mundo!

São 1,3 km do que resta do Muro de Berlim e que ainda estão erguidos. E, ao longo do muro,  artistas de diferentes partes do mundo fizeram grafites incríveis que expressam seus protestos e mensagens para um futuro melhor e mais humano.

As pinturas que chama mais atenção são as do líder russo Leonid Brezhnev beijando Erich Honecker, líder da República Democrática Alemã, e a imagem de um Trabant (o carro usado na Alemanha Oriental) atravessando o muro.

Confesso que esperava mais do famoso muro de Berlim.

Fiquei um pouco decepcionada!  Muita sujeira no local, não há conexão com a história em si. Se não soubesse que era o tal muro passaria batido.

Muro de Berlim
Muro de Berlim
A linda Oberbaumbrücke (ponte) ao fundo

“Museumsinsel” – Ilha dos Museus

A Ilha dos Museus é um lugar que amei conhecer. Fala muito da história de Berlim. Fala de arte, de cultura, de história. Um lugar que adorei conhecer!

A Ilha conta com cinco museus de importância mundial (além da Catedral de Berlim). Na parte principal da ilha, logo atrás do Altes Museum (Museu Velho), ficam a Alte NationalGaleri (Velha Galeria Nacional) e o Neus Museum (Museu Novo). Lá, se encontra um belíssimo jardim, às margens do Rio Spree, e é cercado por uma passarela coberta, que liga os dois museus, adornada com colunas gregas de granito. O jardim tem lindas esculturas, sendo um espaço totalmente dedicado à arte.

O Berlim Pass dá acesso preferencial a todos os museus da cidade e várias outras atrações.

Altes Museum”  –  O Museu Histórico de Berlim

 

Alte Nationalgaleri” (Velha Galeria Nacional)

 

“Neus Museum” (Museu Novo) – Jardins da Ilha dos Museus

 


Nessa primeira parte do texto, encerramos aqui com a “Ilha dos Museus”. Fique ligado que ainda nesta semana a segunda parte será postada e então poderemos terminar de ver nossos destinos (são tantos!) e saber um pouco mais sobre os dados da viagem.

Até a próxima!


ABOUT ME 

Rachel Miranda – Brasileira, graduada em Direito, sócia da Empresa Protege Seguros e uma apaixonada por conhecer outras culturas.